VIII (21/04/2012)

 
Sempre o tempo foi generoso com nossa reunião anual, mas dessa vez, choveu boa parte da madrugada da sexta, pensei, não poderia ser mais apropriado, afinal, esta talvez seja a última festa que faremos em meu pequeno paraíso. O céu também chorou, mas mesmo assim, durante a festa praticamente nenhuma gota caiu.
 
 
Por causa do tempo instável, imaginei que poucas pessoas viessem, foi exatamente o contrário, nunca havia reunido tantos amigos, circularam por aqui mais de 100 pessoas.
 
 
Sentimos falta de alguns antigos que não puderam vir, outros que não estão mais conosco, mas retornaram alguns que há algum tempo não víamos e novos amigos vieram para presenciar pela primeira vez nossa festa.
 
 
Flores do Fogo abriu nossa festa e tocaram seu hard do excelente álbum "Rock'n'roll é eterno". Como sempre Luizinho, Ricardo, Pita e seu novo baixista deram um show. Quem puder, abra o link para aumentar o número de acessos e aumentar a chance de serem reconhecidos como merecem.
 
 
Como o Marcião Pignatari estava com a banda desfalcada e o Alcatéia Blues também, juntaram-se e fizeram um set MARAVILHOSO!
 

Enquanto eles tocavam, a grande surpresa, apareceu Nuno Mindelis, o mais famoso bluesman "brasileiro" (na verdade nasceu em Angola), eleito pela revista Guitar Player americana como o melhor guitarrista de Blues de 1998. Meu irmão o havia convidado mas sua presença era duvidosa, pois sua esposa estava internada. Felizmente ela recebeu alta e depois de 5 dias hospitalizada, vieram direto para minha casa - que honra. 
 
Fui com sede demais ao pote e perguntei se tocar para ele naquele momento seria considerado trabalho. Me indagou:
- O que você faz?
- Sou analista de sistemas.
- Você gostaria de sentar um pouco no seu computador agora e digitar?
- Não!
- Pois é, eu também não estou afim de tocar hoje.
 
Diante de um argumento tão contundente, compreendi perfeitamente sua posição.
 

Contudo, para minha grande surpresa, observou a banda tocar por não mais que uns 15 minutos e quando olhei para o palco, lá estava ele empunhando a guitarra do Marcião para começar uma sequência matadora. Márcio e ele já eram antigos conhecidos. Tocou, cantou, solou e arrasou. 
 

Terminou elogiando muito o Douglas como sendo o guitarrista mais emocionante que ele conheceu.  
 
 
Acima Pedro, Djalma e André pondo todos para dançar com Mustang Sally.
 
Enquanto o André assumia o comando, homenageando Nuno cantando uma música dele, sentamos juntos e contou-me sobre sua amizade com o pessoal do Double Trouble - banda de Steve Ray Vaughan (meu deus do blues) - com a qual excursionou e gravou dois CDs. Do convite de Duke Robillard, blueseiro americano, para fazerem um trabalho juntos. Conversamos como era ter um reconhecimento enorme lá fora e ser quase anônimo no Brasil, me falou que no final das contas, nada compensa a saudade de casa. Ficou surpreso com o assédio contido de alguns frequentadores de minha festa, dizendo que não tinha a menor idéia da importância que tinha para as pessoas.
 
 
Em resumo, ele veio até minha casa, trouxe cerveja, deu um show no palco, deu um show de simpatia, deu atenção a todos e quando se despediu ainda me agradeceu pelo convite e pela forma como o acolhemos. Imagina!
 
 
Também ficamos felizes com a participação do "Guerrinha", à direita, guitarrista do Rock Diggers, banda que toca constantemente no Garimpo - Embú, dando uma palhinha com o André. Aliás, ele só não ficou mais porque tinha que tocar lá.
 
 
No final tivemos a tradicional jam e, sempre que possível, trazemos para o palco os irmãos Gilberto e Fernando que foram a fonte de inspiração de muitos dos que tocaram aqui nessa noite. 
 

Olha só! Luizinho, guitarrista do Flores do Fogo, brincando de baterista, misturado com a nova safra, a banda do Gabriel.
 
Preciso me desculpar aos que vieram. Sou um péssimo anfitrião, esperamos o ano todo para isso e quando acontece, fico poucos minutos com meus amigos. Alguns provavelmente apenas cumprimentei ao chegarem. Para os que não sabem, a música me fascina, por isso, quando tem uma banda tocando eu geralmente fico meio desligado no que acontece em volta, e como nesses casos temos geralmente algo perto de 6 horas de música, sobra pouco tempo para o resto :-).
 
Se tivermos a oportunidade de fazer outras festas que cheguem perto dessa, já estaremos muito felizes.
 
Saúde a todos e até o ano que vem, em algum lugar...
 
Ricardo Koetz
 
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