´´O Mundo Utópico

Funcionários públicos, profissionais do mundo artístico, mundo acadêmico, muitos professores e a maioria de seus alunos, vivem num mundo pedagógico ou de realidades imaginárias, cercados por teorias e ideologias que nunca funcionaram fora do papel. Estão afastados do mercado de trabalho das empresas comuns, consequentemente, distantes da realidade das duras batalhas que são travadas todos os dias – tanto pelos empregados quanto pelos empresários. No lugar de serem eternos alunos como todos nós, tornam-se professores e doutores do mundo como o imaginam e não de como é ou pode ser. Por isso, é nesse meio que regimes utópicos encontram solo fértil, seus principais adeptos e os mais exacerbados defensores.

Quando o comunismo é apontado como um regime nefasto que não deu certo em lugar nenhum, para dizer o mínimo, o regime que mais matou no século XX, seus defensores reagem questionando se o capitalismo deu certo, confrontando o “progresso” social de Cuba com as mazelas de países próximos como Nicarágua, Honduras e apontando para a miserável África. Tentam defender o indefensável, o problema desses países é principalmente político-administrativo, ainda que não fosse, o mecanismo vivo do capitalismo funciona praticamente no mundo inteiro, ainda que não da forma ideal, enquanto que o comunismo foi um retumbante e incontestável fracasso onde quer que tenha sido aplicado.

Pessoas pouco afeitas ao trabalho ou que trabalham contra a vontade, buscam sombra no assistencialismo, enquanto pregam filosofias de regimes falidos. Têm como passatempo predileto atirar pedras sem apresentar nada de positivo. A culpa é sempre de alguém ou do meio ao seu redor, sem jamais levar em consideração que podem ser uma consequência de suas próprias escolhas. Esquecem-se que se vivem em países democráticos, serão sempre livres. Livres até para deixá-lo. O problema é que não importa o destino, terão que se esforçar e ter alguma serventia para serem aceitos, onde quer que seja.

A maioria da população comum está mesmo preocupada se vai conseguir ter duas refeições decentes durante o dia; o que será se ficar doente; esperar que seus filhos voltem vivos para casa; se conseguirá ou ainda terá um emprego amanhã. Os que se deixam embriagar pelas ideias revolucionárias, debatem um mundo que imaginam que exista e não o mundo real. Voltar ao mundo dos vivos e dar uma dimensão terrena aos conceitos que analisa é indispensável para que mantenham os pés no chão e criem soluções que tenham viabilidade para serem aplicadas.

Me preocupo quando pessoas mais esclarecidas da área acadêmica, estudiosos de geopolítica e filósofos, não percebem quando adotam discursos discriminatórios e de intransigência que as aproximam do radicalismo fundamentalista. Pior ainda quando o fazem conscientemente. Como próximo passo talvez surjam alternativas criativas do tipo atirar rojões contra as pessoas como já foi feito aqui, explodir bombas em maratonas como nos EUA, avançar sobre a população com um caminhão como na França e Alemanha, abater os representantes do “inimigo” a bala como na Turquia e no Jornal Charlie Hebdo ou degolar as pessoas como faz o Talibã. Esquecem-se de que o fanatismo emburrece e cria guerras.

Quem olha o mundo através da lente de uma ideologia tende a ampliar suas verdades e perder nitidez sobre os pontos negativos, por isso, a tolerância ao pensamento alheio e a vigilância do próprio são essenciais, pois passa a ser um sinônimo da vida democrática. A busca do equilíbrio produz a desejável confluência entre justiça social que a esquerda tanto preza e a liberdade individual que a direita tanto zela.  É preciso impedir que a intolerância aflore e as idéias deixem de ser contrapostas e passem a ser confrontadas. Condição básica para permitir uma constante correção dos erros e a nutrição de um contínuo crescimento.

O capitalismo é criticado como um gerador de miséria, prometer uma riqueza virtual colocando a cenoura num ponto inalcançável para estimular a corrida das classes, que é o cultivo da desigualdade estrutural que promove a fortuna de poucos graças à miséria da maioria. No entanto, quando os críticos são questionados sobre as eventuais soluções, são lacônicos e caem num discurso vago sobre taxar os mais ricos e distribuir renda. Querem criar o imposto da inveja, no Brasil costuma-se ter raiva de quem é rico, tem que se parar com isso. Se a fortuna veio honestamente, tem que ser aplaudida, pois todos que estão ao redor de quem tem muito dinheiro acaba sendo beneficiado, quer seja como tripulante do iate, camareiro de resorts, garçons de restaurantes, empregados diretos e indiretos. Quem tem muito, não guarda tudo para si, geralmente é um empreendedor que através de sua riqueza gera mais riqueza, cria empregos e sustenta famílias. É preciso ter respeito pelos elementos criadores de riqueza para que se pare de distribuir a pobreza.

O homem, para tornar sua existência suportável, precisa ter sempre uma esperança, precisa estar se movendo com um objetivo, por isso, posso afirmar com toda segurança que é preferível ter uma cenoura na frente do nariz e poder sonhar do que viver sem a menor perspectiva de progresso e saber que não existe nada além da uniformidade dos dias, como era nos países comunistas. Ao contrário da pobreza linear dos comunistas, a riqueza capitalista é pendular. É inegável que muitos nadam a vida toda sem conseguir chegar a lugar nenhum, mas também são inúmeras as histórias de sucesso de quem saiu do nada e conquistou um belo lugar ao sol. Entre ficar reclamando e esperando que algo caia do céu, prefiro morrer tentando.

Ricardo

ricardo@bluesrockshow.com

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