Bourbon Street Fest (11º) parte 2

25/08/2013 - Parque do Ibirapuera

Quando a experiência é boa, nada como repeti-la.


Você já foi à Caverna do Diabo? Se não, vá! Se você está em São Paulo ou proximidades, dá para fazer num bate-e-volta, saia bem cedo, prepare o espírito para pegar a Régis Bittencourt (BR 116) parada em alguns trechos da serra e em mais alguns pontos de obras adiante, pare no Graal que já fica em Registro, estique as pernas, pegue a estrada novamente e fique atento para as placas Caverna do Diabo (Eldorado).


Você provavelmente chegará perto do horário do almoço. Lá eles servem um almoço simples e é a única opção na região. Cabe a você decidir se quer visitar a caverna antes ou depois. É impactante! As duas fotos que coloco aqui não conseguem passar a noção de um centésimo do que é vê-la ao vivo.


Foi a minha terceira visita. É um programa para pessoas de todas as idades, até mesmo para aqueles adolescentes que não conseguem desgrudar do celular, ficarão revoltados - é verdade - porque o celular não pega, mas o balanço será positivo, acredite. A caverna tem a maior parte do caminho com piso de cimento, tem muitas escadas com corrimão, mas diante do esplendor você mal vai perceber o esforço que fará.


Na volta cometi um erro maravilhoso, com preguiça de voltar os quase 60 quilômetros que separam a caverna da BR 116 e de pegar a BR parada em alguns trechos na volta, resolvi subir por Apiaí. Bom, o caminho é lindo, passa pelo Petar mas boa parte é de terra, com abismos vertiginosos numa estrada estreita que muitas vezes passa apenas um carro por vez. Quando chegamos no topo havia uma placa que informava Curitiba (à esquerda) 165 km, São Paulo (à direita) 298!!! A menos que você tenha o espírito MUITO aventureiro e não se importe de pegar mais de 100 quilômetros muito sinuosos da Serra do Rastro da Serpente no escuro, com neblina e depois rodar mais 200 até Sampa, recomendo que volte pela BR. (Todas as fotos acima são do amigão Cláudio Ferreira.)
 
E o que pode existir de melhor, depois de rodar quase 700 quilômetros num único dia? Eu respondo, tomar uma caipirinha no dia seguinte e ir para Bourbon Street Fest.


Honey Island Swamp Band foi a primeira banda a se apresentar e me surpreendeu com o peso.


Representante do que chamam de swamp rock (rock pantaneiro), eles apresentaram uma mistura de Allmand Brothers Band com Lynyrd Skynyrd que me deixou pasmo. Muito Bom!


O seu vocalista, guitarrista e gaitista, Aaron Wilkinson andou pelo corredor junto à grade onde eu estava (mais uma vez) e deu um show de talento e simpatia.


Enquanto esperávamos a banda seguinte, a Orleans Street Jazz Band se apresentou tocando músicas de rua típicas de New Orleans, andaram pelo corredor e pararam bem na minha frente. Fora da imagem ainda está um trompete e uma tuba.


Quase no fim da apresentação deles aconteceu o inusitado, apareceu um senhor do meu lado, mostrou uma pequena folha, que tirou de uma árvore próxima, para um dos integrantes e levou-a a boca, pedindo o microfone, o músico hesitou mas cedeu e aquele senhor roubou a cena, fazendo o som de um trompete sendo solando, levando todos ao delírio. Foi inacreditável.


Leo Nocentelli - The Meters Experience, foi a banda seguinte. Leo foi um dos fundadores da banda The Meters.


O folder de divulgação dizia que era o guitarrista "mais funk", mas o que eu vi foi uma banda que tocou um hard rock as vezes suingado, mas muito pesado, lembrando o southern rock de Gov't Mule.


A interação dessa santa trindade do rock, guitarra, baixo e bateria eram incríveis, tocaram o tempo todo com a faca trincando entre os dentes e cuspindo fogo. Curioso é que o guitarrista e baixista Bill Dickens fixavam o olho-no-olho e solavam muito, como que desafiando quem conseguia ser mais rápido. Pareciam dois bisões se enfrentando. Ah, detalhe, o baixista usava um baixo de 7 (sete!!!) cordas. O baterista Ronnie Ciago também era um monstro, que já tocou com Patrick Moraz (Yes, The Moody Blues) e atualmente no disco do batera Bill Ward (Black Sabbath), para citar apenas dois. Bill Dickens já tocou com Pat Metheny, Al Di Meola, Steve Morse e muitos outros.
 
Vale lembrar que ambas as bandas tinham tecladistas excelentes que também deram um show no comando do Hammond.


O fechamento do festival ficou por conta da banda The Soul Rebels, que é a brass band (banda composta apenas por instrumentos de sopro, geralmente acompanhada por uma seção rítmica) número um de New Orleans.  


É impossível ficar indiferente ao impacto de um conjunto formado por dois trompetes, um saxofone, dois trombones e uma tuba tocando soprando ao mesmo tempo. Tinha também dois percussionistas. A tuba soava como um baixo, muito curioso.


As primeiras músicas foram muito legais, depois tornou-se um pouco repetitivo, na minha opinião e na de alguns ao meu redor. O som voltou a ficar interessante quando Leo Nocentelli se uniu a eles, fazendo solos alucinados e fritando notas no melhor estilo Satriani. Integrantes do Honey Island também se uniram à festa.
 
Uma característica das três bandas que se apresentaram foi tocar poucas músicas, porém bem longas, gostei bastante, pois não tinham nenhum apelo comercial.
 
Ricardo
  
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