Paul McCartney

Um gentle man no Morumbi, 22/11/2010
 
The Beatles foi a banda mais importante do século 20, o conjunto de sua obra transcende ao pop, transcende ao rock, transcende a rótulos, é Beatles. Ter a oportunidade de assistir a pelo menos um de seus integrantes é um privilégio, é ver um pedaço da história pessoalmente.
 
Já faz 17 anos, quando Paul esteve por aqui pela primeira vez, os ingressos esgotaram em poucas horas e fiquei sem vê-lo, dessa vez, tive um amargo déjà vu com relação aos ingressos para o primeiro dia, 21, mas felizmente houve o show extra da segundona. Ponderei, minha coleção de ingressos hoje beira os 170, sem o de um show de um Beatle sempre ficaria uma lacuna, portanto, empenhei-me mais. Como resolvi não arriscar a internet que está sempre congestionada nos sites de venda, preferi madrugar na fila e logo o premio estava em minhas mãos, poucas horas depois, no primeiro dia de venda, também esses mais de 60 mil ingressos estariam esgotados.
 
Em contraste com o dia maravilhoso que fez no show do domingo, a segunda foi de chuva, quem estava em área descoberta (80%) se encharcou. O show começou com um pequeno atraso e durou quase 3 horas sem intervalo.
 
É, o cara só pode estar dormindo no formol, aos 68 ainda tem um ar extremamente jovial e uma super disposição.
 
Muito simpático com o público, esforçou-se a falar em português, com uma pronuncia boa, diga-se de passagem. Falou frases de certa complexidade que durante a articulação o forçaram a algumas caretas... Essa música eu fiz para minha gatinha Linda... Vocês são maravilhosos... etc.
 
 
Com essa guitarra teve o seu momento Jimi Hendrix e homenageou o mestre com um trecho de Foxy Lady, quem diria...
 
 
Tudo bem in the rain? brincou ele, depois cantarolou chove chuva...
 
 
Trocou várias vezes de guitarras, baixo e instrumentos de corda acústicos, além do piano.
 
 
Esta guitarra ele utilizou no início de carreira nos Beatles.
 
 
 Não faltaram homenagens a George com Something.
 
 
 Veja acima o tamanho do telão lateral em relação ao palco.
 
 
Let it be...
 
 
Um lindo momento de Let it be. É preciso destacar, além do telão no fundo do palco, dois enormes nas laterais, com a altura de prédios de 6 andares, que garantiram a visualização dos detalhes, mesmo para quem estava distante. Felizmente as câmeras eram operadas pelo pessoal dele, o que garantia um timing perfeito nas imagens em sincronia com o que estava acontecendo no palco e dando o destaque a todos os músicos na hora exata. 
 
 
Live and Let Die veio logo depois, numa seqüencia de imagens caótica de tirar o fôlego, com aproximadamente 5 flashes por segundo nos telões, jogo de luzes se alternando numa velocidade alucinante, com queima de fogos e explosões dentro e acima do palco. Foram os 3 minutos mais rápidos de minha vida.
 
 
 
 
 
Paul fazendo graça no final da música, tapando os ouvidos por causa das explosões e pirotecnia.
 
Estranhamente ele termina o show sem apresentar sua banda de apoio que está com ele há mais de 10 anos.
 
O destaque técnico muito positivo, além do telões, foi o equipamento de som distribuído também por todo anel superior da arquibancada, garantindo assim uma boa qualidade sonora em todo estádio, o que pode ser considerado uma proeza. Só vi uma qualidade superior no show do Roger Waters, ex-Pink Floyd.
 
Como ponto negativo do show, apenas uma sequência de músicas um pouco morna antes da metade do espetáculo, poderia ter limado algumas pouco empolgantes. É muito legal que tente se comunicar em português com o público, um sinal de respeito, acima de tudo, mas parar entre praticamente cada uma das quase 40 músicas para falar alguma coisa ou apenas fazer uma palhaçada, acaba quebrando um pouco o pique, deveria ter sido mais dinâmico.
 
Agora como ponto negativo do estádio, ah, aí podemos apontar muitos. Para não faltar a tradição do Morumbi, as longas filas para retirar ingressos, filas absurdas e longa espera na chuva, no anel inferior, por exemplo, no setor das cadeiras, conforme entravam, as pessoas não eram orientadas e procuravam se acomodar no local mais próximo de onde entravam, o que fez com que o setor do portão 17 estivesse entupido de gente que não era desse setor, enquanto que o setor 3, a nossa frente estava pela metade antes do início do show. Tinha gente até das cadeiras superiores perdidas por ali, não imagino como conseguiram entrar. Agora, a medalha de ouro fica para os... banheiros, se é que podem receber esse nome, filas enormes, pouquíssimos para atender mais de 60 mil (!!!) pessoas. É algo inenarrável, e não estou falando dos químicos que ficam no gramado não, estou me referindo aos fixos dentro do próprio estádio. O feminino é tão ruim quanto o masculino, sem tampa, sem papel, portas que não fecham, imundos, fiiiiiiiiiiiiiiiiiiilas e com o agravante de que as mulheres não podem faze-lo de pé como os homens. Já conheci pocilgas mais limpas que aquilo. Uma vergonha. E que venha a copa do mundo, quem sabe algo melhora.
 
Não fiz comentários quanto ao repertório, adorei quase todas, mas gostei também bastante do meio-blues Letting Go, que eu não conhecia. Veja o set list  no link abaixo e tire suas próprias conclusões. Ao clicar no título, toca a música e a maioria tem um vídeo de algum show ao vivo.
 
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