Tony Levin (King Crimson)

Stick Man (Tony Levin) - SESC Belenzinho 20/03/2011
 
Dos shows que tenho assistido ultimamente, este foi o que mais me impressionou, mas também é o mais difícil de resenhar. Como descrever um som - como se isso fosse possível - de músicos cujos instrumentos não existiam até pouco tempo?
 
 
É como tentar descrever um quadro de arte abstrata para alguém. Aliás, abstrato talvez seja a melhor palavra, "crimsoniano" para quem conhece King Crimson. O nova iorquino Tony Levin - com extenso currículo de baixista que passa por Peter Gabriel, Paul Simon, John Lennon, etc. atualmente King Crimson - toca o instrumento que é o centro das atrações, o Chapman Stick. No entanto, para mim, o instrumento principal foi a bateria do texano Pat Mastelotto, também integrante atual do King Crimson. No lugar de ele fazer a base, muitas vezes a inconstância, a quebradeira era tamanha, que a cozinha passava a ser feita pelos outros dois músicos.
 
 
Com influências claras de Robert Fripp, o atual chefe desses músicos na já mencionada banda, tocaram, entre outras, Breathless, Red e fecharam com Elephant Talk, todas do Rei Escarlate e, é claro, músicas de seu álbum atual Stick Man.
 
Descrever algo que não tem ligação com o blues ou com o metal, talvez com um pezinho no progressivo, mas que ainda é rock, como? Trata-se de um som urbanóide, caótico, paranóico... fantástico! É claro que qualquer um pode acessar o Youtube e achar algo deles para assistir, mas não daria nem uma pálida noção do impacto que eles têm ao vivo, com seu som absolutamente impecável, incisivo, cristalino - abstrato sem ser enfadonho ou incompreensivo.
 
 
Tony com o Chapmann Stick, instrumento de 12 cordas, desenvolvido pelo luthier californiano Emmet Chapman, no qual pode-se tocar o baixo e a guitarra, bastando que as cordas sejam pressionadas com a ponta dos dedos, como digitação - não se usa palheta ou o dedilhado.
 
 
Esse cara é o bicho, além da bateria, opera o computador e uma parafernália eletrônica responsável pelos efeitos sonoros especiais e sampling.
 
 
Pat criando sons, para os quais usava desde eletrônicos, passando por arcos para usar nos pratos (!), baquetas especiais,  até bichinhos plásticos de brinquedo do tipo patinho de borracha.
 
 
O terceiro integrante, Markus Reuter, austríaco, que construiu sua própria "guitarra", de oito cordas, que funciona com o mesmo princípio do Stick, apenas apertando as cordas com os dedos. Isso merece um parênteses: um guitarrista sempre tem uma mão ocupada dedilhando, o que faz com que sobrem 4 dedos para fazer as posições ou o solo. Agora imagine uma "guitarra" de 8 ou 12 cordas, que pode ser solada com 8 dedos simultaneamente, ou onde o músico pode solar e fazer a própria base! Com as variações de afinação, uso de equipamentos auxiliares e pedais, abre um novo caminho de quase infinitas possibilidades. É todo um universo novo de sonoridades a serem exploradas, nos mais diversos estilos musicais.
 
 
Que estejamos sempre prontos para receber os novos universos que se abrem diante de nós. E que se faça a luz. 
 
 
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