Acampar faz parte da cultura do país, tanto é que a maioria das casas têm um trailer, motorhome ou barco, ás vezes, os três, e o meu amigo Rylan não é diferente. Por outro lado, os hotéis nas cidades mais turísticas são bem caros.
Praticamente todos os dias foram ensolarados, com temperaturas agradáveis, mas placas nas estradas nos lembravam de que isso é temporário e que dias difíceis estavam por vir. Elas alertavam que entre 1º de outubro até 30 de abril (durante sete meses no ano!!!), pneus de inverno são obrigatórios. Havia regiões em que o prazo ia “só” até 31 de março.
Na volta, passamos novamente na casa dos amigos Rylan, Jeaneth e Lily, em West Kelowna, de onde aproveitamos para percorrer um trecho da Okanagan Hwy, às margens do grande lago homônimo, num belo passeio passando por Peachland e Summerland.
Devolvemos o carro que havíamos alugado em Kelowna e para voltar à Vancouver optamos pelo ônibus, o que inviabilizou tirar fotos nos lugares mais interessantes do trajeto. O caminho utilizado foi pela bela Coquihalla Hwy, muito mais interessante que a rodovia que utilizamos em 31/08.
Como ainda tínhamos um dia livre, decidimos fazer um bate e volta na Ilha Victoria em 21 de setembro. O cuidado com a natureza, o ecologicamente correto e a reciclagem são levados muito a sério, tanto é que a enorme balsa era movida a gás natural. As paisagens durante a travessia já valem a viagem, mas ainda havia muito mais para se ver.
Inicialmente, ainda no Brasil, pretendíamos seguir até a ponta norte da ilha, visitar Tofino, mas seriam mais 600 quilômetros, só de ida, e pelo menos três dias a mais de viagem. Preferimos não nos estender demais e deixamos para uma próxima oportunidade.
Note as tartarugas sobre o tronco tomando um banho de sol.
Essa ponte de pedra foi construída como parte do paisagismo para o parque, em 1889.
Ilha Victoria também merece mais atenção, tem vários lugares legais para visitar, inclusive um jardim botânico que dizem ser um show.
A última imagem impressionante do Canadá, já a caminho de casa.
Considerações finais.
É oportuno lembrar que, apesar de minhas explicações aparentemente detalhadas, eu mal arranhei a superfície das possibilidades turísticas por onde passei, certamente centenas deixaram de ser mencionadas. Em todos os lugares existem inúmeras trilhas, com diferentes graus de dificuldade, algumas exigindo dias para serem percorridas. Em função de nossas limitações físicas, procuramos visitar sempre o que estava mais perto e que oferecesse o menor grau de dificuldade. Apesar disso, fiquei entristecido em notar que a grande maioria dos lugares é inviável para um cadeirante, alguns simplesmente porque têm escadas demais.
Muitas atrações como o Esmerald Lake, Luise Lake, entre outras, visitamos no finalzinho do dia, depois das 15 horas. Se tivéssemos chegado antes, não poderíamos entrar, pois limitam o número de visitantes e controlam o número de vagas de estacionamento disponível, portanto, é recomendável que se chegue cedo ou no final da tarde, para não correr o risco de ser barrado. Foi uma grata surpresa poder usar o cartão veicular brasileiro de deficiente físico por lá, o que facilitou bastante em alguns casos.
A sensação de segurança é incrível e o trânsito é extremamente civilizado – basta dizer que em 25 dias, quase 4 mil quilômetros percorridos, eu ouvi não mais do que duas buzinadas.
A maioria das belezas naturais visitadas são “gratuitas”, a não ser quando tem um teleférico ou algo especial como o Capilano Bridge Park. Usei aspas pois quando eu estava em Banff, em uma barreira policial fui informado de que para poder trafegar nas áreas dos parques e visitá-los, na verdade, era preciso que o veículo tivesse um “passe”. Ele pode ser diário, mas se forem mais que 6 dias, é melhor comprar o passe anual. Fui obrigado a comprar na hora, o anual, e custou em torno de 160 dólares. Parece caro, mas acho justo, pois todas as belezas naturais, incluindo a região das montanhas rochosas, estão em parques e, além de lindos, são bem cuidados. Todas as áreas para camping, trailers e motorhomes que eu vi também eram gratuitas.
Todos os lugares turísticos, pontos de parada na beira da estrada (viewpoints) e campings têm banheiro ecológico gratuito, cujo cheiro nos faz lembrar dos banheiros químicos de eventos esportivos por aqui, mas mais limpos. São basicamente uma cabana de madeira montada sobre um fosso, com uma privada através da qual se vê o fundo. Parece precário, mas é bem melhor do que não ter.
Em comparação com o Brasil, estadia e alimentação são bem mais caros. Uma refeição custa em torno de 28 dólares canadenses. O que achei curioso é que nos pontos turísticos o valor é apenas alguns dólares mais caros, nada extorsivo, e não o dobro ou o triplo como é por aqui – mesmo se for no topo de uma montanha e a única opção disponível.
Contabilidade
Vários amigos me perguntaram sobre os custos em geral de uma viagem assim, então, lá vão os números.
Às férias canadenses terminam em agosto, mas ainda era considerado verão até 22 de setembro, ou seja, não era férias, mas ainda estávamos nos últimos dias do verão. São detalhes que influenciam o preço das hospedagens em qualquer lugar do planeta. Se era durante a semana ou num fim de semana também influem no resultado.
Todos os valores que menciono à partir daqui estão em dólar canadense “CAD” (mais barato que o dólar americano). No período da viagem, eram necessários aproximadamente quatro reais para comprar um dólar canadense. Só para comparar, um dólar americano valia aproximadamente R$ 5,30.
Sempre procurei hotéis mais baratos, mas excluí hostels e hotéis de ranking abaixo de 7. Pesquisei muita coisa pelo Booking, porque ao checar por outros sites de busca, os valores se assemelhavam. Sempre que perguntei nos hotéis se teria sido mais barato se eu tivesse cotado direto com eles, eles sempre afirmaram que haveria uma diferença significativa. Por algumas vezes cotei no site de busca e, em seguida, cotei direto com o hotel. Em nenhuma vez o valor passado pelo hotel estava abaixo do valor cotado no site, pelo contrário.
Os únicos hotéis que serviram café da manhã foram os que escolhi em Vancouver, no início e no fim da viagem, e as diárias deles foram de 239 e 287 CAD.
A diária mais barata foi em Whistler, por incrível que pareça, 200 CAD, mas o fato de eu não ter passado o fim de semana pode ter influenciado. Em Hinton e Clearwater paguei praticamente o mesmo valor. As diárias mais caras foram em Banff e Canmore, 490 e 375 CAD respectivamente.
Diante de todos esses valores de hospedagem, me questionei se não teria sido mais em conta alugar um motorhome. Fiz uma conta muito superficial que me mostrou resultados mais altos, além do inconveniente de perder mobilidade com um trambolho daquele tamanho.
Aluguel dos carros:
A BMW, que foi um upgrade sugerido de última hora a um acréscimo irrisório, me custou 75 CAD/dia.
O VW Jetta, que utilizei para visitar as montanhas rochosas, custou 90 CAD/dia.
Esse é o mapa aproximado da viagem. Não está totalmente correto, mas dá uma ideia do trajeto. Quando tentei corrigir, em 06/11, o Google Maps já não dava mais a opção de fazer o trajeto pela Icefields Pkwy, conforme está nesse mapa. Talvez a rodovia já tenha sido interditada por uma medida de segurança, pois a região é muito pouco povoada e a rodovia fica sem sinal de internet por mais de 250 quilômetros.
Espero que os heróis da resistência, que aguentaram chegar até aqui, tenham também aproveitado um pouco dessa belíssima viagem que realizamos. Forte abraço a todos.
Ricardo & Gláucia